segunda-feira, 26 de abril de 2010

Tendências atuais da obturação endodôntica

O objetivo principal da obturação dos sistemas de canais radiculares é selar toda a extensão da cavidade endodôntica, desde a sua abertura coronária, e isso inclui a blindagem da câmara pulpar, até o seu término apical, ou seja, o material obturador deve preencher todo o espaço ocupado anteriormente pela polpa dental, proporcionando um selamento tridimensional.

Esse selamento se torna essencial quando passamos a imaginar que um canal radicular vazio, mesmo estéril (coisa que não conseguimos em nossas técnicas de instrumentação), atua como um reservatório de líquidos teciduais e exsudatos inflamatórios oriundos das regiões adjacentes, propiciando assim um ótimo meio de cultura para os microrganismos.

O único modo de evitarmos a formação desse meio de cultura é através de um selamento tridimensional dos canais radiculares, porém se a obturação dos sistemas de canais radiculares apresenta-se defeituosa, ou seja com espaços vazios em seu interior, não teremos selamento suficiente para impedir a penetração pelo forame de microrganismos e seus produtos tóxicos e assim se proliferarão devido a presença desses espaços vazios, criando reações inflamatórias periapicais peculiares aos dentes infeccionados. Além da penetração de novos microrganismos via forame apical mal selado, qualquer espaço vazio entre material obturador e parede dentinária pode servir de recipiente à líquidos orgânicos que podem advir da região apical ou lateral funcionando como substrato às bactérias residuais e ou sepultadas nos túbulos dentinários, reentrâncias, canais recorrentes.

Apesar da guta-percha não ser considerado o material obturador ideal, ainda representa a primeira escolha de material durante os procedimentos de obturação do sistema de canais radiculares, apresentando um ótimo desempenho quando associado aos cimentos endodônticos. Os excelentes resultados, entretanto, não previnem o binômio guta-percha/cimento dos constantes questionamentos sobre: a qualidade final da obturação, capacidade dos selamentos apical e coronário, índice de infiltração, falhas de adaptação às paredes dentinárias, habilidade de promover obturação tridimensional e longevidade desta obturação

Ao longo dos anos a literatura tem reportado que a permanente busca do selamento apical efetivo poderia ser obtida com materiais de reconhecida propriedade adesiva, utilizados tanto na área odontológica quanto na área médico- cirúrgica, incluindo resinas epóxicas, cimentos à base de metacrilatos, agentes adesivos e selantes, dentre outros. Na década de 70 do século passado foram reconhecidas as excelentes propriedades físico-químicas de cimentos à base de resina epóxica para o selamento do sistema de canais radiculares, entretanto, mais tarde, a confirmação da liberação de formaldeído foi considerada desfavorável para os tecidos. No final dos anos 90 foi introduzido no mercado cimentos à base de resina epóxica com excelentes propriedades de selamento e melhor comportamento biológico em relação à composição original.

Com o advento das técnicas adesivas em Odontologia Restauradora na década de 80, alguns pesquisadores apropriaram-se desses materiais para avaliar se eles cumpririam as exigências requeridas pela International Standardization Organization (ISO) para serem utilizados como cimentos de obturação endodôntica.

Os resultados obtidos com a associação de adesivos às técnicas de obturação convencional e não-convencional continuaram a motivar os pesquisadores a investir na busca de novos materiais com melhores propriedades adesivas.

No campo da endodontia alguns materiais vêm sendo fabricados com base no conceito monobloco de obturações de canais que resultariam em uma massa seladora impermeável, pois estariam aderidas química e fisicamente as paredes dos canais criando uma única unidade estrutural ou um monobloco – reforçando o dente endodonticamente tratado. Para a formação desse monobloco será necessária grande força de adesão entre a dentina e o cimento e também entre o cimento e o material sólido de obturação. Alguns autores sugerem que a formação desse monobloco irá promover um melhor selamento e maior resistência a uma possível contaminação futura do sistema de canais radiculares.

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